segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dunga e Leão

O Dunga não tem um mínimo de educação, postura, nada. A Globo fez uma declaração decente, por meio do Tadeu Schmidt, como há muito não se via. A atitude do Dunga extrapola certos limites, vai além dos resultados que ele pode conseguir: o time do Brasil tem vários jogadores que podem decidir um jogo, em número que nenhum time têm, nem mesmo a Argentina, que talvez até esteja jogando melhor. É como uma polêmica criada uma certa vez entre o grande Armando Nogueira e o técnico Emerson Leão. Após ser criticado pelo Armando por mais um de seus incontáveis destemperos, o técnico Leão esbravejou, ofendeu, rugiu, como é de seu costume. O Armando respondeu que não tinha nada pessoal contra o Leão. Não me lembro exatamente de suas palavras, mas ele basicamente, com sua classe peculiar, respondeu que o Leão não tinha educação, e esse era seu problema.

O Juca Kfouri, outro dia, comentou sobre a falta que o Armando faz. Nesse momento, ela é sentida. Dunga, em seu estilo Leão de ser, demonstra não ter a menor noção do cargo que ocupa. Os altos salários recebidos por técnicos e jogadores de ponta não se referem somente ao seu desempenho esportivo. O tal "direito de imagem" é mais do que uma maneira de driblar o imposto de renda, e o técnico do Brasil parece não perceber isso.

Para esclarecer, não defendo que todos devem ser santos o tempo inteiro. Me incomoda, muito, esse novo estilo de treinar, que leva em consideração mais o comportamento extra-campo do jogador do que sua capacidade técnica. Dunga, obviamente, não inventou isto, vários treinadores, de Felipão a Muricy Ramalho, são defensores fervorosos desse estilo, e conseguiram excelentes resultados desta maneira. É um estilo moderno de treinar, que despreza o ensinamento de João Saldanha: não quero jogador pra casar com minha filha, ao defender os bad boys que acabariam campeões em 1970.

As explosões, desobediências, desvirtuamentos, são comuns em todos e, muitas vezes, responsáveis por coisas boas, como na recusa de Ganso em sair na final do Campeonato Paulista, decisiva para a conquista do título para o Santos. Mas a atitude de Dunga, no meu modo de ver, não tem a ver com uma explosão. Tem a ver com algo pensado, programado para ser assim.

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